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MALVASIA FINA B
Origem
Boal, na rotulagem do VLQPRD Madeira.

Constituem as Malvasias um grupo muito importante de castas de primeira qualidade, que nas nossas vinhas se acha representado por bastantes variedades.
D. Simon de Rochas, na sua “Ampelographia”, descreve-as com varas erguidas, folhas verde amareladas, uvas medianas muito redondas, muito suculentas e doces.
A variedade branca mais comum nas nossas vinhas é a Malvazia Fina ou Malvazia de Passa, que é temporã, melindrosa, desavinhando nalguns sítios, muito sujeita a ser atacada pelo oídio, mas dá vinho muito fino.
Vila Maior, Visconde de, 1875. Manual de Viticultura Practica. 552pp. Imprensa da Universidade, Coimbra.

O coeficiente de variação genotípica do rendimento (CVG de 31,84) permite considerá-la geneticamente heterogénea e concluir da sua cultura desde um passado longíquo nas respectivas regiões vitícolas, onde terá um certo tradicionalismo. A variabilidade genética é maior nos clones oriundos do Douro (CVG de 36,55), sugerindo um maior tradicionalismo da casta nesta região. A sub-população do Dão revela-se a mais homogénea genotipicamente (CVG de 24,32), originando um rendimento médio superior ao atingido pelos clones vindos das restantes regiões (Douro e Oeste).
Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa.


Morfologia
Extremidade do ramo jovem aberta, com orla ligeiramente carmim, elevada densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem verde, página inferior com elevada densidade de pêlos prostrados.
Flor hermafrodita
Pâmpano verde, com gomos verdes.
Folha adulta de tamanho médio, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio, irregular, ligeiramente bolhoso; página inferior com forte densidade de pêlos prostrados; dentes médios e rectilíneos; seio peciolar pouco aberto, com a base em V, seios laterais fechados em U.
Cacho médio, cónico alado, medianamente compacto, pedúnculo de comprimento médio.
Bago ligeiramente elíptico, pequeno e verde-amarelado; película medianamente espessa, polpa mole.
Sarmento castanho amarelado.


Comportamento
Abrolhamento: Época média, 3 dias após a ‘Fernão Pires’.
Floração: Época média, 4 dias após a ‘Fernão Pires’.
Pintor: Época média, 7 dias após a ‘Fernão Pires’.
Maturação: Época média, uma semana após ‘Fernão Pires’.
Porte semi-erecto. Vigor médio. Boa produtividade e regular.
Sensível à carência hídrica, engelhando o bago.
Sensível ao oídio e à podridão cinzenta.

Casta de porte semi-erecto, de vigor médio e entrenó de tamanho médio e regular. Apresenta muitas gavinhas com alguma dureza.
O abrolhamento é tardio.
Tem uma boa fertilidade, é medianamente susceptível ao desavinho e tem uma produção elevada e regular.
Adapta-se a qualquer tipo de poda. A sua vara é bastante dura. A sebe é de fácil condução.
Sofre muito com o stress hídrico, engelhando frequentemente o bago.
É uma casta pouco susceptível ao míldio e ao oídio. Relativamente à podridão cinzenta apresenta-se sensível apenas na fase de floração. É medianamente sensível a ataques de cigarrinha verde. Apresenta alguma susceptibilidade a carências de magnésio e boro.
Tem um cacho de tamanho médio a grande, frouxo, de pedúnculo longo e com alguma lenhificação. Os bagos são pequenos e de difícil destacamento. A película é espessa e o número de graínhas é grande.
A maturação é precoce.
CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso.


Potencial
Os mostos apresentam um teor alcoólico provável elevado e baixa acidez.
Dá vinhos de cor citrina, muito frutados, finos, perfumados, delicados, sabor equilibrado e muito elegantes.
Possui um bom potencial para envelhecimentos mais ou menos prolongados, com os seus vinhos a apresentar um "boquet" extraordinário, embora com menos exuberância e longevidade do que o Encruzado. A sua cor passa a amarelo palha, sendo então de realçar a complexidade dos seus aromas secundários, associados a uma finura, equilíbrio e elegância invejáveis.
Temos igualmente conhecimento de grandes sucessos na utilização de barricas de madeira de carvalho novo, tanto na fermentação como no estágio dos seus vinhos, com a obtenção de produtos de excepcional nobreza.
Misturado com outras castas do Dão, imprime-lhe a "tipicidade" e a personalidade própria dos vinhos da Região.
CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso.


Selecção
Possui clones certificados.
Características dos clones, obtidos nas condições dos ensaios de selecção.

Malvasia Fina B, clone 98 ISA:
Rendimento acima da média, bom teor alcoólico e acidez total média. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

Malvasia Fina B, clone 99 ISA:
Bom rendimento, bom teor alcoólico e com teor médio de acidez total. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

Malvasia Fina B, clone 100 ISA:
Excelente teor alcoólico, boa estabilidade ambiental do rendimento. Rendimento e teores de acidez total médios. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

Malvasia Fina B, clone 101 ISA:
Bom rendimento, estabilidade ambiental do rendimento intermédia, com teores de acidez total próximos da média. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

Malvasia Fina B, clone 102 ISA:
Excelente rendimento e boa estabilidade ambiental, teor alcoólico médio e bom teor de acidez total. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

Malvasia Fina B, clone 103 ISA:
Excelente rendimento e boa estabilidade ambiental, teor alcoólico elevado e teor médio de acidez total. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

Malvasia Fina B, clone 104 ISA:
Rendimento, acidez total, teor alcoólico e estabilidade ambiental acima da média. Apreciação global do vinho de ‘muito bom’.

(Antero Martins - Rede Nacional de Selecção da Videira)


Fotos





MicroSatélites


Almadanim et al., 2007

Lopes et al., 2006

VVS1


178 : 188

VVS2

145 : 147

139 : 141

VVS3


210 : 210

VVS4


166 : 166

VVS29


168 : 168

VVMD5

226 : 240

222 : 236

VVMD6


204 : 204

VVMD7

235 : 253

236 : 254

VVMD8


140 : 140

VVMD14


222 : 226

VVMD27

179 : 194


VVMD36


249 : 283

ssrVrZAG7


154 : 156

ssrVrZAG12


157 : 157

ssrVrZAG15


166 : 166

ssrVrZAG21


198 : 202

ssrVrZAG25


236 : 244

ssrVrZAG29


109 : 109

ssrVrZAG30


148 : 148

ssrVrZAG47


156 : 172

ssrVrZAG62

188 : 188

186 : 186

ssrVrZAG64


136 : 138

ssrVrZAG67


121 : 147

ssrVrZAG79

247 : 251

244 : 248

ssrVrZAG83


190 : 194

ssrVrZAG112


226 : 236

ssrVvUCH11


239 : 241

ssrVvUCH12


148 : 166

ssrVvUCH29


285 : 285


® As diferenças no tamanho dos alelos são devidas às metodologias laboratoriais.
- Almadanim, M. Cecília, M. Margarida Baleiras-Couto, H. Sofia Pereira, Elvira Melo, Eva Valero, P. Fevereiro, J.E. Eiras-Dias, Leonor Morais, Wanda Viegas, M. Manuela Veloso, 2007. Genetic diversity of the grapevine (Vitis vinifera L.) cultivars most utilized for wine production in Portugal. Vitis 46 (3), 116-119.
- Lopes, M. Susana, M. Rodrigues dos Santos, J.E. Eiras-Dias, D. Mendonça, A. Câmara Machado, 2006. Discrimination of Portuguese grapevines based on microsatellite markers. Journal of Biotechnology, 127, 34-44.




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