|
Origem Conhecida por Tinta Amarela nas regiões do Douro e Dão. A variabilidade genética do rendimento (CVG de 12,82) é limitada. Os clones oriundos da Estremadura apresentam indicadores de variabilidade do rendimento mais elevados (CVG de 17,00). Isto poderá indicar a maior antiguidade da casta na região da Estremadura, expandindo-se mais tarde para as restantes regiões de cultura. A seguir aos clones da Estremadura, surgem os clones vindos do Alentejo com uma heterogeneidade genética superior às restantes regiões de cultura (Dão, Douro e Pinhel). Estes clones atingem um rendimento médio superior aos outros clones das sub-populações varietais. As sub-populações do Dão, Douro e Pinhel são as mais homogéneas geneticamente, o que poderá retratar o estabelecimento mais recente desta casta nessas regiões. Contudo, dentro destas regiões de cultura com variabilidade mais reduzida e bastante semelhante, a heterogeneidade genética consegue ser maior nas clones originários do Douro, seguindo-se os clones de Pinhel e por último os do Dão. Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa. Morfologia Extremidade do ramo jovem aberta, com orla carmim e média densidade de pêlos prostrados. Folha jovem verde-amarelada, página inferior com média densidade de pêlos prostrados. Flor hermafrodita Pâmpano verde, com gomos verdes. Folha adulta de tamanho médio, pentagonal, com três a cinco lóbulos; limbo verde claro, irregular, enrugado, medianamente bolhoso; página inferior com baixa densidade de pêlos prostrados; dentes médios e convexos; seio peciolar com lóbulos ligeiramente sobrepostos, com a base em V, seios laterais abertos em V. Cacho médio, cónico, medianamente compacto, pedúnculo de comprimento médio. Bago arredondado, médio e negro-azul; película fina, polpa mole. Sarmento castanho amarelado. Comportamento Abrolhamento: Época média, 8 dias após a ‘Castelão’. Floração: Época média, 6 dias após a ‘Castelão’. Pintor: Época média, em simultâneo com a ‘Castelão’. Maturação: Época média, uma semana após a ‘Castelão’. Casta vigorosa, de porte semi-erecto. Sensível ao oídio, ao míldio e à podridão. A razão fundamental para ser mais cultivada em regiões quentes e secas prende-se com o facto de ser uma variedade bastante susceptível à podridão. Casta de ciclo médio, embora abrolhe mais tarde (8 dias) que o Castelão, alcança esta casta no pintor, apresentando por isso um ciclo ligeiramente mais curto. Vigor médio a alto situando-se acima do nível do Castelão. Quanto à produtividade é menos produtiva que o Castelão. Porte medianamente erecto, a necessitar de poda em verde no cedo e de desfolha criteriosa na zona do cacho. Muito exigente na gestão da vegetação, que deve ser de modo a promover bom arejamento na zona de frutificação. Bagos médios, pouco consistentes de película fina com tendência para rachar. Desaconselhável para solos de fertilidade elevada e/ou clima de influência marítima. Muito sensível aos ataques de traça da uva. Muito sensível às doenças criptogâmicas, nomeadamente ao oídio e às podridões do cacho. Muito sensível aos ataques de cicadela e cochonilha Sensível às doenças do lenho. CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA Variedade de porte semi-erecto a horizontal, de vigor médio e com pouca tendência ao desenvolvimento de netas. O entrenó é médio e medianamente regular. Apresenta poucas gavinhas e medianamente frágeis. O abrolhamento é médio. Apresenta boa fertilidade, é pouco susceptível ao desavinho e tem um nível de produção médio. Adapta-se a qualquer tipo de poda. A vara é relativamente dura. A condução da sebe é medianamente fácil. É muito susceptível ao míldio, oídio e podridão cinzenta. O cacho é de tamanho médio a grande, compacto, de pedúnculo médio e fortemente lenhificado. Os bagos são médios, de película medianamente espessa e com facilidade de destacamento. As grainhas são em número médio, pequenas e ligeiramente herbáceas. A maturação é média. CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso. Potencial Trata-se de uma casta serôdia, mas para se tirar o melhor partido dela deve ser vindimada num estado de sobrematuração, o que não só é essencial para vinhos mais robustos e com potencial de guarda, como também evita a possibilidade de gostos herbáceos que ocorrem com alguma frequência quando se vindima demasiado cedo. As regiões que permitem esperar pela sua completa maturação sem riscos de chuvas são as especialmente eleitas para o seu cultivo, sendo o Alentejo de todas a principal. Julgo que a Trincadeira será hoje em dia a casta qualitativamente mais importante dos encepamentos alentejanos. (J. Portugal Ramos, 1998, 12ª feira do Vinho, Pingo Doce) Em regiões com baixa humidade relativa do ar e em solos pouco férteis, manifesta todas as suas potencialidades enológicas, originando vinhos medianamente ricos em substâncias fenólicas. CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA Os mostos denotam um teor alcoólico provável muito elevado e média acidez. Quando vindimado no seu óptimo de maturação, dá vinhos com uma cor tinto intenso, aroma a frutos muito maduros, sabor harmonioso, macio, mas muito dependente do seu "habitat" natural. Esta casta, se colocada em condições edafo-climáticas menos adequadas (humidade), dá vinhos sem interesse (descorados, sem aroma, etc.). CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso. Selecção Possui clones certificados. Características dos clones, obtidos nas condições dos ensaios de selecção. Trincadeira T, clone 10 EAN: Bom rendimento, com teor alcoólico médio, acidez total média e bom teor em substâncias da cor. Trincadeira T, clone 11 EAN: Bom rendimento, com excelente teor alcoólico, acidez total média e bom teor em substâncias da cor. Trincadeira T, clone 12 EAN: Excelente rendimento, boa estabilidade ambiental, com teor alcoólico médio, acidez total média e médio teor em substâncias da cor. Trincadeira T, clone 13 EAN: Rendimento médio, com bom teor alcoólico, acidez total média e médio teor em substâncias da cor. Trincadeira T, clone 14 EAN: Excelente rendimento, excelente teor alcoólico, acidez total média e elevados teores em substâncias da cor. Trincadeira T, clone 15 EAN: Excelente rendimento, excelente estabilidade ambiental, com teor alcoólico médio, acidez total média e bom teor em substâncias da cor. (Antero Martins - Rede Nacional de Selecção da Videira) Fotos
MicroSatélites
- Almadanim, M. Cecília, M. Margarida Baleiras-Couto, H. Sofia Pereira, Elvira Melo, Eva Valero, P. Fevereiro, J.E. Eiras-Dias, Leonor Morais, Wanda Viegas, M. Manuela Veloso, 2007. Genetic diversity of the grapevine (Vitis vinifera L.) cultivars most utilized for wine production in Portugal. Vitis 46 (3), 116-119. |
voltar