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Origem Casta cultivada nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Catarina Carvalho (As vinhas património. Expresso, Única, 7 Fevereiro 2004, 58-64) relata-nos a introdução da vinha e da casta Verdelho na ilha do Pico: “O primeiro pároco da ilha, o franciscano Frei Gigante, teve então a revelação de que aquela terra parecia a da Sicília, e mandou plantar ‘em pé franco’ as primeiras cepas de Verdecchio, que mandou vir da Madeira”. O Anuário do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV, 2004-05, p. 431) também refere a origem da vinha e da Verdelho, no arquipélago dos Açores, em termos semelhantes, ao referir: “... pensando-se que foram os religiosos Franciscanos quem nelas (nas ilhas do arquipélago) introduziram o plantio da vinha. Desde muito cedo estes religiosos constataram existirem grandes semelhanças entre as condições edafo-climáticas da Sicília e algumas ilhas deste arquipélago, tendo trazido várias plantas da casta mais conhecida, o Verdelho (antigo Verdecchio siciliano, segundo alguns investigadores), cuja expansão foi rápida e abundante”. A coincidência de nomes e de factos é praticamente total. A diferença entre os dois textos é que Catarina Carvalho cita a Verdelho como tendo sido introduzida da Madeira e o Anuário do IVV dá a entender que a casta foi introduzida directamente da Sicília. Os factos que estamos a analisar reportam-se ao século XV, sendo impossível saber a verdadeira identidade da casta citada. Actualmente, sendo a designação Verdelho, Verdello, Verdecchio e até Verdejo (nome espanhol), bastante comuns, é praticamente impossível saber de modo preciso a que casta estes autores estão-se a referir. Contudo, a Verdelho actualmente cultivada no arquipélago dos Açores e da Madeira é uma entidade relativamente bem conhecida. É a única casta tradicional que mantem a designação entre as ilhas do Pico, Terceira e Graciosa. Este facto é coerente com a história da casta no arquipélago dos Açores, pois, como se depreende das citações sobre a origem da vinha na região, é considerada a mais antiga e mais típica do encepamento. É igual à Verdelho cultivada na Madeira (Lopes et al., 1999) e na Austrália, para onde foi levada da ilha da Madeira, por volta de 1824 (Krake et al., 1999, p.115). É diferente da Verdecchio italiana e da Verdejo espanhola. Relativamente a esta última casta, é morfologicamente muito semelhante, mas os perfis de microssatélites provam que são duas castas distintas. Vários autores (por exemplo, Kerridge e Antcliff, 1999, Wine Grape Varieties. CSIRO Publishing, Austrália, p. 177 e 194) consideram, erradamente, que é igual à Gouveio cultivada no Continente. Morfologia Extremidade do ramo jovem aberta, com orla carmim e fraca densidade de pêlos prostrados. Folha jovem verde com zonas acobreadas e página inferior com nula densidade de pêlos prostrados. Flor hermafrodita. Pâmpano estriado de vermelho e gomos ligeiramente avermelhados. Folha adulta pequena, orbicular, sub-inteira; limbo verde médio, ligeiramente irregular e medianamente bolhoso; página inferior com baixa densidade de pêlos prostrados; dentes médios e convexos; seio peciolar fechado a pouco aberto, com a base em U, e seios laterais abertos em V; nervuras principais ligeiramente avermelhadas junto ao ponto peciolar e pecíolo avermelhado. Cacho pequeno, cónico-alado, medianamente compacto, pedúnculo de comprimento médio. Bago elíptico curto, pequeno e verde-amarelado; Sarmento castanho escuro. Comportamento Abrolhamento: Época média, 6 dias após a ‘Fernão Pires’. Floração: Época média, 3 dias após a ‘Fernão Pires’. Pintor: Época média, 8 dias após a ‘Fernão Pires’. Maturação: Muito precoce, duas semanas antes da ‘Fernão Pires’. Produz facilmente dois cachos por lançamento. O seu vigor é médio e o porte semi-erecto. Sensível à Podridão. Muito atreita ao desavinho. Fotos
MicroSatélites
ª – indica que a casta é homozigótica ou heterozigótica com um alelo nulo. - Lopes, M.S., Kristina M. Sefc, J.E. Eiras-Dias, Herta Steinkellner, M. Laimer da Câmara Machado, A. da Câmara Machado, 1999. The use of microsatellites for germplasm management in a Portuguese grapevine collection. Theor Appl Genet 99, 733-739. |
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